A Ciranda do Sagrado Feminino


Na roda antiga do tempo,
dança a mulher que desperta,
trazendo luas nos olhos,
e a alma vasta, aberta.

Pés descalços sobre a terra,
mãos erguidas ao luar,
carrega o fogo da vida,
o dom de recomeçar.

É rio que acolhe o silêncio,
é vento que sabe curar,
é raiz profunda e serena,
é mar que aprende a amar.

Na ciranda do sagrado,
cada ferida é canção,
cada lágrima, semente,
florescendo o coração.

Há Cleópatra em sua força,
Afrodite em seu sentir,
há magia em seus mistérios,
e coragem no existir.

Ela honra suas sombras,
sem esquecer sua luz,
tecendo fios de memória
nos caminhos que conduz.

E gira, gira a ciranda,
entre o céu e o chão fecundo,
pois o sagrado feminino
não cabe dentro do mundo…

Ele pulsa em cada mulher
que ousa enfim florescer,
lembrando à própria alma
a beleza de ser.

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