A Soberania de Deus no Sofrimento e a Necessidade de Expiação
Salmo 38:1-3
SENHOR, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.
Pois as tuas flechas estão fincadas em mim, e a tua mão pesa sobre mim.
Não há parte sã no meu corpo, por causa da tua ira; nem há paz nos meus ossos, por causa do meu pecado.
Reflexão Reformada:
Este salmo é um clamor profundo de um crente que reconhece a mão de Deus em seu sofrimento, uma perspectiva central na teologia reformada: a Soberania de Deus sobre todas as coisas, inclusive sobre as aflições. O salmista não atribui seu sofrimento a meras circunstâncias aleatórias, mas sim à disciplina ou ira justa de Deus, expressa através das "flechas" fincadas em seu corpo.
Na visão reformada, o sofrimento frequentemente serve como um meio de disciplina (Hebreus 12:5-11). O crente, sob a aliança, entende que Deus, em Seu amor e santidade, não tolera o pecado em Seu povo. A súplica inicial ("não me repreendas na tua ira") reconhece a santidade de Deus e a seriedade do pecado que merece o juízo.
O ponto crucial aqui é a conexão inequívoca entre a aflição física/emocional e o pecado pessoal, como expresso no versículo 3: "Nem há paz nos meus ossos, por causa do meu pecado." Aqui ressoa a doutrina da Sola Scriptura e a total depravação humana. O pecado corrompeu cada parte do ser – até os ossos estão sem paz. Isso demonstra a seriedade da Queda: o pecado não é apenas um erro de conduta, mas uma doença que afeta a totalidade da pessoa.
Contudo, o ato de orar e confessar (o que o restante do Salmo 38 detalha) é a evidência da graça operante. O crente, mesmo sob o peso do juízo percebido, ainda se volta para a fonte da Sua salvação. A esperança reformada reside no fato de que, embora o sofrimento possa ser punitivo pelo pecado, a punição final foi suportada por Cristo na Cruz. O crente disciplina-se, mas não é condenado.
Aplicação Prática:
1. Reconhecimento da Soberania: Ao enfrentar dificuldades, reconheça que Deus está no controle de cada detalhe, usando até mesmo o sofrimento para moldar seu caráter.
2. Confissão Sincera: Examine-se à luz da Palavra, identificando e confessando o pecado que pode estar gerando a falta de paz em sua vida, lembrando-se que o pecado merece o juízo.
3. Busca por Disciplina, Não Condenação: Entenda que a dor pode ser a mão corretiva de Deus (disciplina), mas não a condenação eterna, pois esta já foi suprida pela obra consumada de Cristo.
4. Apego à Graça: Mantenha-se firme na certeza de que a paz verdadeira (a ausência de culpa diante de Deus) é encontrada somente na justificação pela fé em Jesus Cristo.

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